sexta-feira, 10 de julho de 2009

Do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa

Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, cotidiano, nítido.

Eu vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo,

Mas tudo ou sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri
Eu vivi todos os pensamentos, todas as emoções, todos os gestos
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.

Amei e odiei como toda gente,
mas para toda gente isso foi normal e instintivo.
Para mim sempre foi a excessão,
o choque, a válvula, o escape.

Não sei se a vida é pouco ou demais pra mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.

Mas seja como for, a vida,
de tão interessante que ela é a todos os momentos,
a vida chega a doer, a cortar, a roçar, a ranger,
a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,
de sair para fora de todas as portas, de todas as casas e ir ser selvagem, entre árvores e esquecimento.

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